Um dia, dois anoiteceres
Boa noite.
No passado dia 12 de Agosto foi possível assistir ao eclipse
solar e foi interessante ouvir diversas opiniões sobre este fenómeno
astronómico em que a Lua cobriu/ocultou quase completamente o Sol. Algo é
certo, não provocou medo e aparentemente o sentimento mais evidente foi a
curiosidade.
Para quem estava em contacto com a natureza, no campo, viver
instantes tão únicos teve várias nuances.
Primeiro, cerca das 18h00 sentiu-se um ligeiro rasgo de
vento; poucos segundos de movimento, as folhas das árvores a tocar entre si,
com a persistência de folhas de lixa grossa. Logo depois o silêncio, de novo e
profundamente completo. Por outras palavras, terá sido um prenúncio de alteração
da luz solar?
Às 18h30, hora a que se iniciara o eclipse, nada se notou.
Os minutos foram passando e até se pode sentir alguma frustração, pois afinal
não era nada! Pensava-se.
Suavemente a luz pareceu alterar-se, de uma luz viva de
Agosto, até um sépia muito tímido.
Às 19h30 sim, afinal sim isto é um eclipse parcial mas
visível. E nada de olhar o sol diretamente pois isso poderia ser prejudicial
para os olhos. A luz a envolver tudo em redor, mais fraca que o habitual já
revelava algo como impacto… Escureceu tanto e tão depressa que os insetos noturnos
começaram a cantar, cada vez mais à medida que o anoitecer de tons acastanhados
tomava conta de tudo.
O frio da noite surgia vindo daquele céu, e misturava-se com
o calor do dia ainda emanado do chão. O coração batia mais forte naquele
silêncio apenas cheio de sons de insetos.
Após alguns minutos, começou a clarear suavemente, os
insetos emudeceram, até que a luz brilhante do final de dia de Agosto
regressou. Às 20h30 já o dia era como habitualmente um lento anoitecer, ainda
acompanhado com o piar de um ou outro pássaro à procura de um local para dormir.
Onde estariam eles na hora anterior?!
E após as 21h00 regressaram os cânticos dos insetos da noite…
havia algo de diferente neles: não pareciam tão intensos, tão presentes em todo
o lado.
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