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Teatro e erva fresca

 Boa tarde. Em mês que marca o início de um certo sentimento de verão, com feiras do livro, praia, maior vontade de passear pelos jardins, aqui fica o poema "Poema da erva fresca" de António Gedeão.  Antes fica a informação relativa a um evento no Teatro Passagem de Nível em Alfornelos: De 29 a 31 de Maio de 2026 podemos assistir à peça "O Marinheiro" com base no trabalho de Fernando Pessoa. Horário: 6ª feira às 21h30 e sábado e domingo às 16 horas. Mais informação no Instagram @tpnivel e no facebook. Poema da erva fresca , por António Gedeão De repente cheirou-me a erva fresca, a feno, a estrume, a vegetais pisados. E lembrei-me do Hesíodo. Devia ser atarracado e gordo. Devia ter a boca entumescida e o nariz grosso. À minha volta não se enxergavam cabras, nem brotavam do chão as alcachofras, nem o estrídulo canto das cigarras me arranhava os ouvidos. Mas ele, o gordo, andava por ali, saboreando-se, na terna manhã dos pássaros. Um sol sem adjectivos, o mesmo Sol qu...

António Lobo Antunes

  Boa noite.   Faleceu hoje o escritor: António Lobo Antunes. Alguém que se intitulava o escritor do avesso da alma humana. Escreveu, entre muitos outros livros, “A ordem natural das coisas” (1992), uma obra onde “falava” da sua infância e adolescência no bairro de Benfica, em Lisboa. Certamente que teria tido a oportunidade de viver com mais árvores e muito menos carros que atualmente. O bairro de Benfica, nos nossos dias, poderemos dizer que está cercado por automóveis e o seu ruído. Mas mais que sentir, ou não, a ausência do rebuliço, hoje muitos de nós sentem que pela primeira vez, em muitos anos, não será mais possível visitar uma feira do livro em Portugal e imaginar poder cruzar-se com alguém que gostava tanto de escrever e que escrevia com uma profundidade pragmática. É possível que se volte a este tema em breve.   Até breve.

Aquecimento global e António Aleixo

Hoje é um dia digno de nota por serem conhecidos dados que parecem revelar que 2024 foi o ano com os registos de temperatura mais elevados de sempre. Assim, fica um poema de António Aleixo que serve perfeitamente para os nossos dias, porque não basta referir que o ambiente se degrada, é necessário dar o nosso contributo para que algo mude para melhor. Um bom exemplo é a postura dos 3 ‘R’, ou seja, Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Note-se que um olhar amigo do ambiente não é necessariamente um olhar menos “amigo” das contas pessoais, pelo contrário, pode ser algo mesmo benéfico. Um exemplo clássico será praticar um pouco de exercício físico, passeando a pé e evitando uma deslocação automóvel, o qual nos pode ajudar a prevenir alguma degradação da nossa saúde, a qual nos ficaria sempre dispendiosa. O livro “ESTE LIVRO QUE VOS DEIXO”, quando foi publicado em 1969 continuou a revelar a força da poesia do autor, sempre com algumas observações dignas de nota, na realidade, os seus poemas são ...

Uma fotografia da Feira do Livro no Dia da Criança

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Hoje é dia da criança pelo que fica um conto que evoca o nascimento. Também se publica a primeira fotografia na Feira do Livro de Lisboa 2024.     O RIO GRÁVIDO, por António M. O farfalhar das folhas era o da mata, espreitar. O ruído era como o de quem espiava através dos olhos das florestas. O seu destino era como o de quem escutava através da audição da multidão. A ave que voara por acima do leve ruído da escuta foi a mensagem do envio: sinal da cilada mal preparada. A tribo dos onze que o escuro evitara, era a multidão que escutara: por cautela dos perigos das armadilhas, rodeara o centro da mata ciliar. Como marcavam pegadas nas areias das margens do riacho serpenteante, as árvores do seu mapear eram de cílios que acompanham. Como que as plantas submersas a ondularem nos seus verticais, quando a pulsação líquida superior despacha vigílias de ondas liqüefeitas, a sondarem as areias das praias dos contornos, assim, os cílios da mata-galeria ondeavam ao derredor dos extremos da sensua...