Beleza em tempos de Feira do Livro
Boa tarde
Hoje aqui fica um poema sobre beleza, que podemos encontrar na Antologia Natureza 2025.
Hino à beleza, por Asdrúbal Vieira
Nestes tempos conturbados
Onde a loucura impera
Estão os sentidos vedados
Em um compasso de espera.
Vivemos de olhos vendados,
Surdos aos gemidos de dor,
Aturdidos, alheados,
Ávidos de fácil louvor.
Que tristeza infinita,
Tal alienação semeia,
Ao transformar em finita
A beleza que a rodeia.
A função intelectual,
Virada para o umbigo,
Ignora o primor real.
Faz do torpor um amigo.
Adeus sensibilidade,
Amputaram-te os sentidos,
Mataram-te a faculdade,
De apreciar tons floridos.
O colorido dum monte,
Um pôr-do-Sol radiante,
O latejar duma fonte,
Um belo peito arfante,
Uma paisagem campestre,
Uma azinheira florida,
Uma roseira silvestre,
Uma promessa sentida,
Do cheiro a maresia
Que o olfacto vos assalta,
Carreguem a fantasia
Do mar que nos arrebata.
Venham adorar a graça
Do voo numa gaivota,
Despeçam-se da desgraça.
À beleza abram a porta!
Até breve.

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