Teatro e erva fresca
Boa tarde.
Em mês que marca o início de um certo sentimento de verão, com feiras do livro, praia, maior vontade de passear pelos jardins, aqui fica o poema "Poema da erva fresca" de António Gedeão.
Antes fica a informação relativa a um evento no Teatro Passagem de Nível em Alfornelos:
De 29 a 31 de Maio de 2026 podemos assistir à peça "O Marinheiro" com base no trabalho de Fernando Pessoa.
Horário: 6ª feira às 21h30 e sábado e domingo às 16 horas.
Mais informação no Instagram @tpnivel e no facebook.
Poema da erva fresca, por António Gedeão
De repente cheirou-me a erva fresca,
a feno, a estrume, a vegetais pisados.
E lembrei-me do Hesíodo.
Devia ser atarracado e gordo.
Devia ter a boca entumescida
e o nariz grosso.
À minha volta
não se enxergavam cabras,
nem brotavam do chão as alcachofras,
nem o estrídulo canto das cigarras
me arranhava os ouvidos.
Mas ele, o gordo,
andava por ali, saboreando-se,
na terna manhã dos pássaros.
Um sol sem adjectivos,
o mesmo Sol que em Ascra
descamisava cobras e assombrava lagartos,
relampejava ali, nas vidraças dos carros.
Rubicundo e matreiro
lambe o sarro do vinho reluzente nos beiços,
o vinho resinoso
que ficou a escorrer na memória dos simples,
e agora, já lambido,
sopra rijo na flauta
enchendo o Campo Grande de vibrações sonoras.
Olá, Hesíodo!
Por aqui?
Até breve.
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