Um pouco de turismo no Jardim Cesário Verde

 

Boa noite.

 

Hoje proponho um passeio verde no coração de Lisboa, na zona de Arroios e das Avenidas Novas. É uma sugestão feita com simplicidade e boa disposição: calce sapatos confortáveis, traga uma garrafa de água e aproveite os transportes públicos.

Lisboa esconde muitos recantos que nos convidam a abrandar e olhar à nossa volta. Os jardins de bairro têm personalidades próprias — pequenos pulmões que contam histórias de poetas, reis e vizinhos. Vamos descobrir juntos quatro desses espaços e ver como se ligam?

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Jardim Cesário Verde — homenagem ao poeta da cidade, um dos mais conhecidos;


O Jardim Cesário Verde é um espaço verde de pequenas dimensões, situado na Praça Ilha do Faial, na freguesia de Arroios. Criado em 1955, e é arborizado com árvores altas e abriga o busto do poeta Cesário Verde, obra do escultor Maximiano Alves.

É um lugar discreto: os seus cerca de 2 500 m² podem passar despercebidos a quem apressa o passo, mas quem se atreva a parar sente a brisa e a sombra refrescante das árvores. A inclinação suave da calçada, entre a Rua Dona Estefânia e o largo homónimo, torna o jardim mais variado, e uma conífera (Cedrus atlantica) classificada como árvore de interesse público guarda a memória viva de 1947.

 

Perto do Jardim Cesário Verde encontramos três outros jardins, que merecem a nossa visita.

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A) Jardim Constantino — o rei das flores no bairro


A poucos minutos a pé surge o Jardim Constantino, outro recanto de Arroios com cerca de 3 000 m². É um típico jardim de bairro: o chão é de calçada portuguesa, os canteiros circulares e retangulares acolhem árvores e arbustos, e os bancos de jardim convidam à pausa.

O jardim foi batizado em homenagem a Constantino José Marques de Sampaio e Melo, produtor de flores artificiais conhecido como o “Rei das Flores”. Ao redor existe um quiosque com esplanada, um pequeno parque infantil, um lago com fontanário e até sanitário público. Duas árvores raras — uma Melaleuca e uma Figueira‑australiana — têm estatuto de interesse público, mostrando como um jardim de proximidade pode também ser um pequeno museu botânico.

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B) Alameda Dom Afonso Henriques — relvados e a Fonte Luminosa


Continuando para sul, chegamos à Alameda Dom Afonso Henriques, um arruamento e jardim com pouco mais de três hectares dedicado ao primeiro rei de Portugal. Concebida no século XX, a alameda tem um pequeno jardim no topo oriental e dois grandes tabuleiros relvados que se estendem ao longo da Avenida Almirante Reis. Entre os relvados ergue‑se a grande Fonte Luminosa, obra monumental do período do Estado Novo, e no topo ocidental fica o Instituto Superior Técnico.

A Alameda é mais do que um jardim: é um espaço de encontro onde o metro cruza as linhas Verde e Vermelha, há concentrações cívicas (como a celebração do Dia do Trabalhador) e muitas famílias espalham toalhas nos relvados em dias de sol. Venha ao final da tarde para ver a fonte iluminada e sentir a energia do bairro. Quando existem jogos de futebol da seleção nacional também é comum este espaço encher-se de adeptos!


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C) Jardim do Campo Pequeno — quatro cantos verdes à volta da praça


Próximo das Avenidas Novas encontramos o Jardim do Campo Pequeno, também chamado Jardim Marquês de Marialva. Este espaço ajardinado circunda a Praça de Touros do Campo Pequeno e começou a ganhar forma em 1936. Após uma requalificação profunda no final do século XX, o conjunto transformou‑se num espaço multiusos com centro comercial, cinemas e restaurantes, mas manteve áreas verdes generosas, muito belas.

O jardim divide‑se em quatro cantos: os dois vértices junto à Avenida da República exibem um traçado geométrico simétrico, enquanto os cantos norte albergam um parque infantil e um court de ténis. No total são cerca de 18 000 m² de relva, árvores e arbustos. É um sítio ideal para repousar depois de visitar os vizinhos Jardim Cesário Verde e Jardim Constantino, ou para assistir a um espetáculo na praça.


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Percurso sugerido a pé

 

Para ligar estes quatro jardins de forma agradável, sugerimos um pequeno itinerário (cerca de 2 km) ideal para uma manhã ou tarde bem passada:

1. Comece no Jardim Cesário Verde e aprecie o busto do poeta à sombra das árvores.
2. Siga pela Rua Dona Estefânia até ao Jardim Constantino (cerca de 300 m) e faça uma pausa na esplanada.
3. Desça em direcção à Alameda Dom Afonso Henriques: atravesse a Av. Almirante Reis e atravesse os tabuleiros relvados junto à Fonte Luminosa.
4. Termine no Jardim do Campo Pequeno, contornando a praça e escolhendo o canto que mais o inspira.


Esta caminhada deve ser desfrutada sem pressas. Leve um livro ou um lanche, aproveite o verde e use sempre transportes públicos para regressar a casa. A experiência é ainda melhor quando partilhada com amigos ou família, evidentemente!

 

No final deste passeio percebe‑se como Lisboa combina jardins pequenos e grandes em harmonia com a vida da cidade. Respeitar estes espaços e visitá‑los de forma sustentável é a melhor homenagem que podemos fazer. Não deite lixo para o chão e não se esqueça de fotografar para memória futura. Bom passeio!

 

Até breve.

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