Um olhar verde e turístico no centro de Lisboa
Boa tarde.
Hoje aqui fica uma sugestão que se comenda seja seguida utilizando transportes públicos amigos do ambiente para a deslocação até à Praça dos Restauradores.
Lisboa tem recantos muito verdes e cheios de tonalidades muito próprias, convida-nos a passear de uma forma poética e subtil — e poucos sítios o fazem tão bem como a zona do Praça do Marquês de Pombal. Aqui começa um percurso com árvores e plantas que liga elegância urbana, história e pequenos refúgios inesperados. Vamos caminhar juntos?
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A) Dos salões ao ar livre: jardins da Avenida da Liberdade
Antes de subir ao parque, vale a pena começar pela Avenida da Liberdade, a qual foi construída entre 1879 e 1886. Os seus jardins centrais, com árvores alinhadas, fontes e estátuas, foram pensados como espaço de lazer da burguesia lisboeta do século XIX.
Hoje continuam a cumprir essa missão — só que agora misturam turistas, habitantes locais e quem, estando de passagem, simplesmente quer abrandar o passo antes de subir a colina.
E é precisamente essa subida que nos leva ao coração verde da cidade.
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B) Parque Eduardo VII — o grande pulmão de Lisboa
Logo acima surge o Parque Eduardo VII, o maior parque do centro da cidade o qual foi concebido como prolongamento verde da avenida e ocupa terrenos de uma antiga pedreira. O nome atual homenageia o rei Eduardo VII, que visitou Lisboa em 1903 para reforçar a aliança luso-britânica.
A sua configuração moderna, com a famosa encosta relvada, eixos simétricos, um pouco curva, resulta de um projeto do arquiteto Francisco Keil do Amaral nos anos 1940.
Aqui uma fotografia de Abril 2026.
Subir este parque é quase um ritual: quanto mais se avança, mais a cidade se revela — até ao Tejo, brilhante, lá ao fundo.
Mas a meio da subida, há um desvio incrível!
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C) Estufa Fria — o segredo escondido
Dentro do parque encontra-se a Estufa Fria, um dos jardins mais singulares e fascinantes de Lisboa.
Página oficial: https://estufafria.lisboa.pt
A sua história começa numa antiga pedreira de basalto, abandonada devido à presença de água. No final do século XIX, o espaço foi usado como viveiro de plantas destinadas à Avenida da Liberdade (estufafria.lisboa.pt).
Em 1912 iniciou-se a transformação em jardim protegido, e em 1933 abriu ao público (estufafria.lisboa.pt).
O nome “fria” não é um acaso, na realidade não há aquecimento artificial e o clima é regulado naturalmente. No seu interior podemos encontrar cascatas e lagos e plantas de vários locais do mundo, com um clima quase tropical.
É o tipo de lugar onde o ruído da cidade desaparece… sem termos de sair dela.
E depois, voltando à luz aberta do parque, seguimos até ao topo, ainda com aquelas imagens verdes na nossa mente.
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D) Jardim Amália Rodrigues — um final com poesia
No ponto mais alto encontramos o Jardim Amália Rodrigues.
Inaugurado em 1996, este jardim presta homenagem à grande fadista portuguesa Amália Rodrigues. Com lago, anfiteatro e amplos relvados, funciona como uma extensão mais contemporânea e tranquila do parque. O lago não é muito profundo e nas suas margens é frequente ver cães a passear com os seus donos ali ao lado.
Daqui, a vista é ampla — e há sempre espaço para sentar, respirar fundo e deixar Lisboa fazer o resto.
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E) Sugestão de percurso a pé
Aqui fica um percurso simples e muito agradável, sobretudo se escolher uma hora com temperatura amena (cerca de 1,5 km):
1. Comece na Praça dos Restauradores
2. Suba pela Avenida da Liberdade, aproveitando os jardins
3. Chegue à Praça do Marquês de Pombal
4. Entre no Parque Eduardo VII e suba lentamente, podendo subir à direita para o Pavilhão Carlos Lopes
5. Faça uma (grande) pausa na Estufa Fria
6. Continue até ao Jardim Amália Rodrigues
Muito importante! Uma sugestão: leve tempo. Este percurso não é para “despachar”, é para saborear.
No fundo, este passeio é Lisboa no seu melhor: começa sofisticado, torna-se natural e termina com poesia. E tudo isto… a poucos passos de distância. Não surpreende que seja no Parque Eduardo VII que surge a Feira do Livro de Lisboa (27 Maio a 14 de Junho 2026).
Até breve.

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